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3 . Escolas

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O professor Mário Santos foi o meu anfitrião, no primeiro dia em que dei aulas, em meados de novembro de 1969, no Liceu Adriano Moreira. A minha missão era lecionar a disciplina de canto coral às turmas dos 3º, 4º e 5º anos. Uma tarefa que tinha tanto de apaixonante como de ingrata. Apaixonante, porque a música é sempre muito querida e apreciada de todos os povos, e muito particularmente do povo cabo-verdiano, naturalmente dotado para a música, quer no que toca ao ritmo, quer no que toca à melodia, o que facilita muito a tarefa a quem tenha por encargo ensiná-la e desenvolvê-la, mesmo que se tratasse de adolescentes entre os 12 e os 16 anos. Ingrata, porque a adolescência é um período crítico, de comportamentos ainda inseguros e mutantes, e o facto de a disciplina não ser valorada retirava algum nervo à eficácia do respetivo ensino, criando uma certa tensão entre a capacidade de atrair os alunos aos conteúdos e a necessidade de manter a indispensável disciplina numa sala com dezenas de...

2. Encontros memoráveis na Praça

    Uma das personagens com quem me sentei inúmeras vezes na Praça Alexandre de Albuqerque, entre 1969 e 1972, dava pelo nominho de Baje, figura emblemática conhecida de toda a Praia, que o cognominava de “ministro da informação”, pois estava sempre a par das últimas, particularmente dos movimentos no porto, naquela altura o coração da circulação de pessoas e mercadorias, emprestando ao pontão da Gamboa uma agitação palpitante, bote-vai-bote-volta, que o ancoradouro era em plena baía, a dezenas de metros de distância. Ora pessoas, que desciam por escadas pendentes dos barcos maiores, ora mercadorias, pendendo de cordames, umas e outras eram acomodadas nas travessas e nos lastros dos botes, e logo transportadas a remo até ao pontão, onde os passageiros eram ajudados a desembarcar, e as mercadorias eram levadas por estivadores para armazéns ou camiões. Sempre vestido a preceito, casaco, gravata e chapéu alto, o Baje, inseparável da sua bengala, era um homem conversador, apes...

1. A Praça Alexandre de Albuquerque

No dealbar dos anos setenta do século passado, a Praça Alexandre de Albuquerque era o centro nevrálgico da cidade da Praia. No seu organismo intrínseco, o coração era sem dúvida a Esplanada, onde se sucedia no decorrer do dia a fina flor da sociedade praiense em breves encontros para uma bebida social e uns petiscos, em especial a meio da manhã, para o ‘coffee break’, e à tardinha, quando iam encerrando os Escritórios, o Comércio, as Escolas... O chafariz, em pleno meio, era um refresco agradável, e atraía bandos ruidosos de crianças nas suas brincadeiras chilreantes ao redor, ou algum par de namorados enlaçados, conversando baixinho, sentados no rebordo de pedra mármore. Canteiros bem cuidados emprestavam à Praça uma elegância quase fidalga, a que os dois bustos dos ex-governadores Alexandre Serpa Pinto e Alexandre de Albuquerque conferiam nobreza. Dezenas de acácias de flor amarela, antigas, verdejantes e frondosas, ofereciam abrigo do sol escaldante nas horas de calmaria, e fi...
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