Mensagens

8. Rádio Clube de Cabo Verde, parte II – Músicas e poemas

Imagem
   (publicado inicialmente em 8 de junho de 2021)     Há períodos da nossa vida que são particularmente ricos e fecundos. Prometi voltar neste blogue ao tema da minha passagem pelo Rádio Clube de Cabo Verde, um desses períodos privilegiados da minha vida, e eis-me aqui para sublinhar com mais detalhe duas das vertentes que durante aquele ano (1971/2) mereceram da minha parte especial cuidado: a música e a poesia.     No que toca à música, um pilar sempre presente na programação de uma Rádio, procurei em primeiro lugar suprir paulatinamente o déficit de conhecimento e apreciação da música erudita (clássicos, grandes orquestras,  jazz ...) de que me dei conta no ensino da disciplina aos jovens nas Escolas em que a lecionei. Dois programas foram dedicados predominantemente a satisfazer esse objetivo: “Música para gravar” e “Diamante sonoro”. As orquestras de James Last, Paul Mauriat, Mancini, Frank Pourcel, Glen Miller, Ray Conniff, Gershwin, en...

7. Uma entrevista ao "Rei da Morna", em 1969

Imagem
     Dezembro de 1969. Estávamos prestes a fechar o nº 7 d’A Voz Paroquial, de cuja redação fora encarregado à minha chegada, um mês atrás. Não era a primeira vez que Luciano Gonçalves – Bana - vinha atuar na Praia, mas havia apenas 2 anos, em 1967, que dera o seu primeiro espetáculo na capital. Depois dos seus grandes lançamentos e gravações como “rei da morna”, como justamente era já conhecido, de tournées por Dakar, Lisboa, Paris, Angola, Estados Unidos da América, de onde regressara havia pouco, e da gravação dos seus primeiros discos, Eternidade (1965), Nha Terra (1965), Pensamento e Segredo (1965), Luís Morais (1967), Bana à Paris (1968) , estava claramente ultrapassada aquela fase preambular em que os artistas não são ainda “profetas na sua terra”. Bana já quebrara essa barreira e era idolatrado na ilha do seu pai, natural de Ribeira da Barca.    Quase dois metros de altura, sapato 50, 37 anos, encorpado mas elegante, rosto marcado por uma boca e um nar...

6. Um jornal silenciado

Imagem
  O período abrangendo o final da década de 60 e a primeira metade da década de 70 do século passado foi, como se sabe, um tempo de profundas transformações em Portugal, nessa altura a digerir as guerras coloniais na Guiné, em Angola e em Moçambique, com o Movimento das Forças Armadas, avesso às guerrilhas, a grassar subrrepticiamente no exército, em particular por obra e graça dos oficiais milicianos, vindos diretamente do meio estudantil, fortemente influenciados pelo Maio 68 em França, e com a transição corporizada de facto por Marcelo Caetano da ditadura de Salazar para a democracia partidária, ao mesmo tempo que na Igreja Católica, na sequência das profundas transformações na sua mundivisão, refletidas entre outros documentos orientadores nas encíclicas sociais de João XXIII e de Paulo VI, e da própria relação, mais direta e participativa, preconizada pelas reformas litúrgicas operadas pelos padres conciliares, das hierarquias com as comunidades cristãs locais, olhadas com as...